Psicanálise: uma prática clínica
- Esther Melo

- 31 de jan.
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Sigmund Freud ( 1856 - 1939) foi um médico neurologista criador de uma nova abordagem sobre o sujeito e o sofrimento humano. Historicamente a psicanálise nasceu a partir da escuta dos fenômenos inexplicáveis pela ciência médica. A decisão ética de Freud em ouvir os sujeitos permitiu-lhe formular sua teoria sobre a existência e os efeitos do inconsciente. Surgiu então uma prática clínica na qual consideramos um sujeito causado por seus desejos e suas relações.

Demonstrando um exigente e rigoroso espírito científico, obstinado a levar luzes às trevas da subjetividade, Freud faz da psicanálise um “saber derivado, inteiramente, da ciência e fundamentado no princípio da inteligibilidade e razão cientifica” (Elia, 1995, p.19).
Todavia a Psicanálise subverte a relação tradicionalmente estabelecida no campo científico entre prática e teoria. Enquanto a ciência exibe o caráter interdependente entre teoria e prática, na psicanálise esta relação se modifica ao passo de tornar impossível fazer essa separação: toda psicanálise é, simultaneamente, teoria e prática. Há assim uma impossibilidade de explicação do que é o trabalho de análise de antemão, fora da própria experiência psicanalítica.
O saber psicanalítico só se torna acessível por intermédio da própria experiência psicanalítica. Seu acesso se dá por meio de um trabalho, que Freud denomina como elaboração.
A novidade no campo do saber que a Psicanálise traz pode ser sustentada como contendo um estatuto próprio, autônomo e irredutível em três planos fundamentais: o teórico — o corpo conceitual da psicanálise é independente dos conceitos psicológicos e das ciências médicas —, o metodológico — é inédito e produz efeitos que subvertem as relações tradicionais que constituem a ciência clássica moderna —, e o ético-clínico — há um modo de ação sobre o real que se traduz, por exemplo, na constituição de uma clínica que está longe de esgotar-se, como ocorre nos discursos médicos-psicológicos, num campo de aplicação terapêutica. (Elia, 1995).
Referência:
Elia, L. (1995). Corpo e sexualidade em Freud e Lacan. Rio de Janeiro: Uapê.


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